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terça-feira, 25 de março de 2008

CIDADE EDUCADORA - DESAFIOS E PRINCÍPIOS


A CIDADE EDUCADORA



O conceito de cidade adquire valor de mais valia quando associado às preocupações relativas à educação. A moldura humana dos espaços urbanizados pauta-se pela multiplicidade e diversidade étnico-cultural. Os desafios prendem-se com uma educação para todos mas respeitando o tronco multicultural das comunidades. O ideal de cidade como estrutura educativa consubstancia-se nas concepções humanistas de desenvolvimento, assim: o respeito, a igualdade, a integração e oportunidades para todos organizam conceptualmente a cartilha para a sustentabilidade das comunidades humanas. O desafio ao binómio cidade e educação é concretizado com o conceito de cidade educadora, instituído pela Carta de Barcelona. O documento tem como filosofia essencial a aprender a aprender, formando-se assim laços de estreita colaboração entre comunidade e população nos domínios da aprendizagem continuada e adaptada aos desafios do desenvolvimento humano. A ideia de cidade educadora implanta-se com a tomada de consciência social de que educar, sendo uma tarefa específica da escola e da família, é, antes de mais, uma responsabilidade da sociedade no seu todo e na totalidade da sua acção no espaço e no tempo.


Os princípos da cidade educadora são genericamente:



  • assumir a cultura, antes de mais, como a busca de sentidos para a vida, o que implica não a ver como mais uma frente de consumo passivo, mas, sobretudo, como um processo de produção que motiva a criatividade e estimula a curiosidade;
  • conceber a educação, simultaneamente, como um processo, como um meio e como um produto que, através destas diferentes dimensões, se constitui como um bem social que a valoriza e dinamiza;
  • acolher uma concepção aberta e diversificadora de saberes, de práticas e de expressões culturais, procurando delinear tempos e espaços formais e informais de permuta e de aprofundamento das respectivas idiossincrasias e potencialidades;
  • cooperar com as outras cidades, surpreendendo as semelhanças e experimentando o desafio das diferenças;
  • explorar educativamente o património das tradições, no mesmo movimento em que, com a identidade que elas proporcionam, faz delas o solo da inovação;
  • consolidar as escolas como instituições educativas, ao mesmo tempo que valoriza e cria outros núcleos de formação onde as pessoas possam dar o seu saber e usufruir do saber dos outros;
  • acolher os que querem aprender e ensinar, sem prejuízo de submeter todas as propostas e projectos a critérios de exigência organizativa e aos princípios de um plano regulador;
  • motivar todas as pessoas e instituições para participarem na actividade educativa como um projecto pessoal e colectivamente gratificante de vida em comum;
  • propor a todos uma relação de contrato ético mutuamente responsabilizante;
  • definir prioridades de formação em função de um processo de avaliação de carências, de objectivos e de recursos.

1 comentário:

Araras & Avestruzes disse...

Muitos parabéns, ficou óptimo. Bom trabalho - para continuar, espero?
Um abraço